sábado, 26 de maio de 2012

Entrevista com o Diretor de escola.

Entrevista realizada no dia 15/05/2012,com o Diretor da escola pública de Ceilândia-DF.

Introdução
 
A Constituição é a lei maior, depois dela vem a LDB. O que o MEC não regulamenta,  compete aos conselhos de educação fazê-lo e quando estes não o fazem torna-se competência da escola. Um exemplo disso foi a LDB no governo de Fernando Henrique, eles estabeleceram o currículo e fizeram o mesmo com os PDS, que são as partes diverssificadas. O currículo tem que ser o mesmo em todo país, que estabelece os mesmos conteúdos para serem trabalhados, mas cada estado tem coisas específicas, então flexibilizaram o currículo e também os PDS. Então a parte diverssificada da escola é quem trata dos conteúdos, sendo eles específicos. São conteúdos específicos locais e regionais da cultura da própria comunidade, sendo ela que se apropria do conhecimento, dividiram também os conteúdos em habilidades e competências, sendo elas que constroem o conhecimento. É a forma como o professor vai construir o conhecimento em sala de aula, dependendo de cada região, o conteúdo tem que ser o mesmo, mas a forma de aplicar é diferente.
Uma das coisas que eles fizeram foi implantar o Espanhol, o MERCUSUL, exige que o Brasil também tenha a língua espanhola, que foi incluída nos PDS. também implementaram nas competências  as questões indígenas, africanas, artes e música.

 
1- Como o Currículo escolar trata de questões como: o preconceito, discriminação, sexualidade, homossexualidade, homofobia, deficiência física e mental?

O currículo já trata desses termos, e estes são trabalhados no dia-a-dia em sala de aula.
 Na nossa escola por exemplo temos semanas que trabalhamos com Bullying, ou projetos específicos, e no que diz respeito a alunos com dificuldades especiais, temos na escola professores que a função deles é só trabalhar com esses alunos, as avaliações deles são diferenciadas em relação aos outros.
Aqui na escola tivemos casos  que o aluno não consegue concluir o ano todo, não consegue fazer todas as disciplinas, então ele faz metade das disciplinas durante um ano e a outra metade ele faz ano seguinte, nós trabalhamos com uma parte deles em turnos inversos e os outros trabalhamos através de projetos específicos, ou seja, pegamos as competências do conteúdo e através de projetos e habilidades se constrói o conhecimento, aqui na escola  temos quatro turmas de alunos com deficiência mental, auditiva e física,  consequentemente a escola  passou por uma adaptação para os alunos cadeirantes . Com tudo isso aproveitamos para incentivar um debate aqui na escola com os alunos e professores sobre diferentes preconceitos e descriminação. 

2- Como podemos valorizar a diversidade presente nas comunidades e sua integração aos currículos escolares?

O próprio currículo através do PD (Parte diversificada), já permite que a escola se aproprie do conhecimento da comunidade, a partir do momento que ela se apropria desse conhecimento, trás pra dentro da escola e o transforma em conteúdo, a partir daí, ela trabalha esses conteúdos através das habilidades. Essa integração que ocorre por meio do PD, também é possível quando você conhece a comunidade e começa a trabalhar todas as habilidades dentro da realidade da própria comunidade, os temas e a forma como o professor trabalha o conteúdo em sala de aula, a lógica que ele trabalha é a lógica do dia-a-dia dessa comunidade, então isso permite que agente tenha uma melhoria na qualidade de ensino e que uma escola aqui da Ceilândia, seja tão competitiva quanto uma escola do Plano Piloto.

3- Como a escola lida com os conflitos vividos em sua comunidade?

Na nossa comunidade por exemplo o tráfico é muito intenso, e muitos alunos vem de famílias desestruturadas, então os conflitos são muitos presentes, porque a escola é um reflexo da família, o que acontece na família, termina interferindo com muita força e intensidade na escola, temos orientação, que é a cartilha "Paz na Escola", que orienta e estabelece as diretrizes de como devemos trabalhar esses conflitos. A cartilha é trabalhada com alguns ítens do estatuto da criança e do adolescente (ECA) que norteia todo o processo de conflitos em nível de escola, no caso aqui da escola em que dirijo, nós criamos toda uma estrutura e nela existe uma sala de apoio ao educando, que é cuidada por uma professora, então todos os conflitos que existem na escola são encaminhados inicialmente para sala de apoio, lá é feito o diagnóstico do problema, temos alunos com problemas de distúrbios psicológicos e de disciplinas e algumas vezes os problemas estão na própria família, quando identificado esses problemas em sala de aula, é feito um levantamento pela nossa responsável, que faz uma triagem, na maioria dos casos que são de disciplinas encaminhamos para a sala de apoio ao educando, aplica-se ai o estatuto escolar, mas quando identificamos que alguns problemas são de ordem psicológica, de saúde, então essa triagem encaminha para os serviços de orientação educacional, lá eles fazem um trabalho diferenciado, não um trabalho disciplinar, mas um trabalho que é encaminhado para o psicólogo, em alguns casos a direção tem que tratar junto à secretaria de serviço social e também da justiça, que são os casos dos conflitos de guarda de adolescentes por exemplo, de alunos que tem problemas de Liberdade Assistida, também fazendo o acompanhamento a orientação educacional e a sala disciplinar, que convivem no dia a dia com aluno.

4- Em sua opinião, o currículo de sua escola deve ser melhorado?Em qual quesito?Justifique?

O currículo hoje, ele se adéqua muito nesse trabalho com as habilidades e competências, junto com os PDs (Partes diversificadas) resolve; o problema é que o PD não reprova, então nos precisaríamos de uma forma de avaliação com os PDs, para que os professores pudessem cobrar mais dos alunos, a única falha que vejo nesse processo é isso, o restante o currículo atende a todas as expectativas.

5- Para a implementação curricular, são necessárias algumas condições para sua execução. Em sua opinião, como deve ser essa implementação?

O currículo primeiro tem que ter as condições objetivas que são livros, os professores qualificados e atualizados e uma escola em condições de trabalhar todo esse currículo.
Agora, o mais importante são os projetos, esses projetos são uma forma de trabalhar as habilidades dos alunos e dessa forma quanto mais você constrói as habilidades, mais se alcança as competências, então é conveniente que a escola, através do seu projeto político pedagógico, que é um conjunto de projeto para que através desse possa implementar e diferenciar o currículo para fazer com que todos alunos alcance o objetivo.

6-- Em sua opinião, há alguma diferença entre o currículo da escola pública e da escola particular?

 Na minha opinião o que acontece é que algumas escolas particulares elas estão trabalhando  o conteúdo pelo conteúdo, e não é dado importância ao dia-a-dia da criança e do adolescente. Quando deveria ser trabalhado o campo humanista para se construir um cidadão. Ao meu ver isso é prejudicial, agora, na escola pública preparamos melhor os indivíduos, claro,  num contexto diferenciado por exemplo, uma família desestruturada como a de muitos alunos aqui da escola, alguns alunos não tem acesso a livro, internet, é o que diferencia esse contexto, mas mesmo com essa diferença de contexto nada impede o crescimento deste aluno na sociedade. 

7- O plano de avaliação é um dos itens que deve ser contido no currículo, de um modo geral. Como é esse plano de avaliação na sua escola?

Na verdade a escola é dinâmica, por isso deve estar em um constante processo de avaliação e adaptação, inclusive no currículo que não pode ficar estagnado, para isso a escola busca o diálogo com a comunidade para aprimorar e aperfeiçoar suas ideias e conceitos fazendo uso inclusive de um feedback fornecido por alunos e professores. A sociedade muda constantemente e a escola tem que esta contextualizada dessas mudanças, uns dos problemas que nos tínhamos é que a escola trabalhava um conjunto de ideias e de teorias que não tinha utilidade prática na sociedade, a escola estava errada nisso e estagnou-se, pois  é preciso uma relação de diálogo da escola com a comunidade, as ações da comunidade é dinâmica, então a escola tem que acompanhar todo esse processo, tem que fazê-lo,  obviamente ela tem que estar constantemente no processo de avaliação e de aperfeiçoamento das suas ideias, dos seus conceitos, das suas teses e das teorias.

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